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Mauricio de Sousa conta por que investiu no público jovem e nos mangás

Do Portal Imprensa


Os quadrinhos da Turma da Mônica fazem parte da infância de muitos leitores brasileiros desde 1959. No entanto, o pai dos personagens, Mauricio de Sousa, percebeu que fazer parte apenas da dessa fase da vida do seu público não era o suficiente e decidiu lançar uma nova linha para os jovens.

À IMPRENSA, o cartunista falou sobre a Turma da Mônica Jovem, o lançamento da revista Chico Bento Moço e ainda explica por que apostou no formato mangá.

Crédito:Divulgação
Mauricio de Sousa apostou nos jovens para não perder o público cativo

IMPRENSA - Você lançou recentemente uma nova linha da Turma da Mônica voltada para os jovens. Por que sentiu essa necessidade?
MAURICIO DE SOUSA - Para recuperar o público que estava escorrendo. Ele [o público] estava indo embora porque a Turma da Mônica infantil era coisa de criança e eles queriam outra coisa e estavam se bandeando para o mangá japonês. Eu precisava ir para a área onde o público jovem estava migrando. Eles gostavam da Turma da Mônica naquele momento e depois achavam que não preenchia mais o seu desejo de consumo, então decidimos fazer alguma coisa para eles. Criar uma Mônica com os seus 15, 16 anos e fazer algo parecido com o mangá japonês. E deu mais que certo.

O mangá do Chico Moço foi pensado para esse mesmo público?
Essa já foi pensada para outros leitores. Achei melhor o [manter] mesmo estilo [da Turma da Mônica Jovem], mas ao mesmo tempo com uma proposta diferente. A proposta do Chico já é mais “abrasileirada”, mais social, mais ecológica. No bojo da história do Chico tem muitas coisas que nós não usamos em outras histórias, inclusive alguma coisa ligada à problemática social. 

Por que apostar no mangá e não em uma HQ tradicional?
Porque não existe mais a HQ tradicional sem a influência do mangá. Em qualquer lugar do mundo. O mangá já transformou a história de quadrinho clássica americana. Toda HQ já vem com pequenos detalhes que lembram o mangá. O pessoal aceitou e hoje é uma linguagem universal. Então, eu apenas não estou fugindo do que está acontecendo do resto do mundo.

Quais são os planos para o futuro da Turma da Mônica Jovem?
A ideia da [Turma da Mônica] Jovem é continuar bombando como está, já que ela é a revista que mais vende no ocidente. Sempre buscando assuntos, temas de interesse desse tipo de público. Para isso a gente tem um contato sempre muito direto, muito online com esse público, para ver o que eles gostam ou não gostam nesse momento. E continuar trabalhando com abertura, com surpresas para o leitor, como foi aquele casamento, como foi o primeiro beijo, e vem outras coisas por aí.

E do Chico Moço?
Continuar com a série e trabalhar para que ela também seja um sucesso.

Crédito:Divulgação
Chico Bento também ganhou versão para os jovens

Ultimamente, temos visto muitas histórias daT urma da Mônica publicadas em outras línguas. Por que você decidiu apostar em leitores estrangeiros?
Eu não aposto em leitores estrangeiros, eu busco mercado em outros países, que é o mesmo processo que os japoneses e americanos usam. Vamos buscar mercado em outros países. Universalizar a nossa produção, o nosso produto.

Sobre as Graphic MSP, por que você decidiu deixar outros autores reinventarem os seus personagens?
Eu não me lembro da gênesis disso tudo. Só sei que em alguma conversa que tive com o Sidney Gusman [responsável pela área de Planejamento Editorial da Mauricio de Sousa Produções] decidimos que podíamos investir em uma coisa meio tabu. Mudar o desenho, permitir que outras pessoas escrevam as histórias, é algo impensável, na maioria dos casos. Só que a marca da Turma da Mônica está tão forte, tão arraigada, que dá pra fazer brincadeiras com ela, que dá para alterar traços, características gráficas, sem que a gente despersonalize os personagens ou as histórias. Então, decidimos começar a fazer isso naquela série MSP 50, onde lançamos três álbuns. E aquilo nos abriu os olhos para que lançássemos publicações periódicas com liberdade de criação dos melhores desenhistas.

Pretende lançar uma segunda edição do projeto?
Sim, lógico. Esse projeto é uma série que não vai se interromper nesses quatro livros. Temos uma lista dos melhores ilustradores do mundo que já estão se preparando para fazer suas próprias edições especiais.

Quais são os próximos projetos da empresa para as crianças e para os jovens?
Para as crianças vamos fazer muitas coisas ligadas à educação. Publicações paradidáticas, entre outras coisas. Para os jovens, depois do Chico Moço, estamos pensando em expandir um pouco mais com edições especiais tanto da Turma Mônica Jovem quanto do Chico.

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